Dos 60 aos 90: como eram as baladas das décadas passadas

Todo mundo sabe o que é uma balada, e provavelmente já foi em uma. Contudo, as coisas não eram do jeito que estamos acostumados a ver hoje em dia. A fórmula básica ainda é a mesma – pessoas, música e luzes – mas muitas coisas mudaram. Então, como eram as baladas na época dos nossos avós? E dos nossos pais?

Confira esse especial com informações e curiosidades.

Anos 60

60s

De certa forma as baladas nos anos 60 eram parecida com as atuais: um lugar para curtir, conhecer gente e ouvir música. Mas o ambiente era bem diferente. O rock, que havia estourado nos anos 50, era o principal gênero de música jovem. No Brasil, a maior influência no som e no comportamento eram programas como Jovem Guarda e Brotos, que lançaram artistas como Roberto Carlos e Ronnie Von. Mesmo diante da difícil realidade da Ditadura Militar, eles ensinavam por que (e como!) valia a pena se divertir.

NA CAÇA AOS BROTINHOS
Não adiantava roupa dos Beatles ou uma cuba libre na mão: beijo só rolava depois de muito namoro.

A MOLECADA DANÇOU
Nas boates só maiores de 18 podiam entrar. Não que isso exigisse muito controle: os mais novos nem as consideravam uma opção de diversão. Para eles, as festas eram na casa dos amigos, na escola ou no clube, devidamente supervisionadas e encerradas antes da meia-noite.

DROGAS? TÔ FORA (LITERALMENTE)
Assim como hoje em dia, drogas eram ilegais. Poucos baladeiros se arriscavam. Um ou outro mais “moderninho” fumava maconha, mas sempre do lado de fora. Nos EUA, a erva ganhava espaço com o movimento hippie e dava o pontapé inicial na psicodelia.

NEM UMA CASQUINHA
Nada da pegação fácil de hoje em dia! Os casais, geralmente apresentados por amigos em comum, passavam semanas apenas conversando. Só depois rolavam mãos dadas e, talvez, um beijinho. O máximo de contato, em público, era dançar mais juntinho.

DOCINHO, MAS FORTE
Os drinques da época eram a cuba libre (rum com Coca-Cola) e o hi-fi (vodca com refrigerante de laranja). Tinham tudo a ver com a transição do público: misturavam algo adulto (a bebida alcoólica, geralmente duas doses) e algo infantil (o refrigerante, servido até completar o copo).

O AVÔ DO DJ
A pista era animada por bandas ao vivo ou uma vitrola. A figura do DJ ainda não existia, mas, em algum lugar do salão, um discotecário “invisível” cuidava do som. Grande conhecedor de música, ele tentava trocar os discos rapidinho para não perturbar o baile.

A MODA DOS MODERNOS
Os meninos absorveram tudo dos Beatles: do cabelo comprido no corte “cuia” aos terninhos. Calças de bocas largas e paletós despojados também funcionavam. Para as garotas, quem ditava regra era a modelo Twiggy, com maquiagem bem marcada nos olhos. Pernocas de fora (em minissaias ou tubinhos curtos) ganhavam as ruas.

CURIOSIDADE
Os discos eram de vinil. A troca exigia habilidade, já que era preciso colocar a agulha da vitrola no ponto exato.

TOP 5 DAS PISTAS
The Beatles – Twist and Shout
Rita Pavone – Datemi un Martello
Roberto Carlos e Erasmo Carlos – Festa de Arromba
Ronnie Cord – Rua Augusta
Wilson Simonal – Nem Vem que Não Tem

Anos 70
70s

Na década da disco music, as casas noturnas começavam a apresentar algumas características típicas de uma balada até hoje, como o forte show de luzes dando destaque à pista e a presença do DJ comandando o som. Mas o que marcou o período foi a mentalidade do público. O hedonismo (a busca pelo prazer) era a arma dos jovens contra a caretice e a repressão do regime militar. Sexo, drogas e disco e soul music embalavam as noites. Nas boates mais populares, jovens de todas as classes sociais, negros e brancos, gays e héteros se reuniam para dançar como se não houvesse amanhã.

SOLTE SUAS FERAS
Luz, som, cores, drogas: tudo motivava o público a se jogar na pista.

PARA BEBER COM ESTILO
A cuba libre, sucesso nos anos 60, ainda era a bebida preferida de muita gente. Disputava espaço nos balcões com uísque, vodca e cerveja. Os mais refinados apostavam no dry martíni, famoso graças ao espião 007: três doses de gim, um pouco de vermute e gelo, batido na coqueteleira e decorado com a clássica azeitona no palito.

UM SHOW À PARTE
Extravasar era a palavra-chave: a galera usava muita cor, brilho e materiais sintéticos. O lurex (um tecido com fios metálicos) aparecia em blusas, macacões e vestidos. No look das garotas, maquiagem forte, meia arrastão e plataformas altíssimas eram essenciais. Elas se inspiravam na novela Dancing Days, enquanto os garotos copiavam Os Embalos de Sábado à Noite.

SOLTA O SOM! 
A pista se consagrava como a grande atração. Não podia parar jamais! Por causa disso, essa época vê surgir a figura do DJ (abreviação de disc jockey), que comandava o som. Ele tinha área de destaque no salão e interagia com o público. O uso de dois toca-discos foi uma grande revolução, mas poucos avançaram nas mixagens próprias.

OS DONOS DA NOITE
A exigência de infraestrutura forçou a profissionalização do ramo. Baladas começaram a virar grandes negócios e consagravam os “reis da noite” – empresários como Ricardo Amaral, dono da Hippopotamus (no Rio) e da Papagaio (no Rio e em Sampa). Outras casas que marcaram a época foram a paulistana Banana Power e a fluminense Dancin’ Days Discotheque, que até virou nome de novela.

SÓ O PÓ 
Ainda rolavam drogas psicodélicas, como maconha e LSD, herdadas da onda hippie. Mas a noite tinha uma nova musa: a cocaína, que mantinha a galera fervendo na pista. Drogar-se não era mais um ato de contestação, como na década anterior. O pó era uma droga cara e virou simplesmente mais um bem de consumo associado a glamour e status.

LIBERDADE SEXUAL 
Se, nos anos 60, ainda reinava o pudor, na década seguinte todos queriam curtir. Beijar já não exigia tanta intimidade. A dança servia para aproximar os casais, que depois procuravam cantos escuros para uns amassos mais quentes. Alguns esticavam a noite em um lugar mais reservado. Os ousados já partiam para os “finalmentes” no banheiro da boate.

CURIOSIDADES
O globo espelhado, os neons e a luz estroboscópica ajudavam a deixar o ambiente mais frenético; As discotecas cobravam a entrada e algumas já exigiam a famigerada “consumação mínima”; A falta de mesas e assentos era proposital: forçava as pessoas a circular ou se concentrar na pista de dança; Quem podia ostentava uma invejável cabeleira black power, um sinal de orgulho racial, vindo da luta pelos direitos civis no fim dos anos 60.

TOP 5 DAS PISTAS
As Frenéticas – Dancing Days
Bee Gees – Stayin’ Alive
Gloria Gaynor – I Will Survive
KC and the Sunshine Band – That’s the Way (I Like It)
Tim Maia – Sossego

Anos 80
80s

As danceterias brasileiras dessa década eram locais de efervescência cultural. Ajudaram a revelar bandas como Legião Urbana, Ira e RPM – o rock nacional estourou e trouxe a música ao vivo de volta às baladas.

Também eram o ponto de encontro de novas “tribos”, como góticos, punks e fãs da new wave. A agitação espelhava a redemocratização do país: o cidadão (em especial, o jovem) podia voltar a expor opiniões sem medo de represálias. Por outro lado, o perigo da AIDS se tornava cada vez mais próximo, mudando radicalmente os hábitos sexuais.

CAOS CRIATIVO
A noite oitentista misturava tudo: DJ, música ao vivo e até videoclipe.

TV NA BALADA
Os anos 80 viram nascer, nos EUA, o canal MTV, que revolucionou o consumo de música. Agora, vinham em forma de clipe! As baladas foram atrás: algumas tinham TV para exibir vídeos que hoje são clássicos, como Thriller, de Michael Jackson, Like a Virgin, de Madonna, e Kiss, de Prince. A galera até copiava as coreografias.

HANG THE DJ
Não havia internet e as rádios brasileiras nem sempre eram rápidas em reproduzir o que bombava lá fora. Resultado: o DJ com acesso a discos importados se tornou um grande formador de opinião. Muita gente o abordava na cabine para saber o nome das músicas. Mas, se ele colocava um som que não agradasse, era vaiado.

A PRAGA DA DÉCADA
Antes considerada doença exclusiva dos gays, a aids aos poucos começou a fazer vítimas entre heterossexuais. A paranoia bateu forte e o amor livre da geração anterior foi deixado de lado. O conselho geral era levar camisinha para a farra. Alguns copiavam a postura assexuada (e/ou andrógina) de ídolos como Morrissey, dos Smiths.

DRINK REFRESCANTE
No bar, a cuba libre e o hi-fi seguiam populares. Mas houve outras febres ao longo da década. Uma delas foi a do Keep Cooler, bisavô das bebidas “ice” atuais. Parecia um refrigerante com sabor de frutas (pêssego, uva, morango, maracujá…), mas levava vinho branco e tinha teor alcoólico de cerca de 5% (similar ao da cerveja).

REVELANDO TALENTOS
Eram comuns os shows ao vivo. Foram em palcos de baladas que surgiram bandas como Legião Urbana, Ira e Paralamas do Sucesso. Ávidos por novidades musicais, os frequentadores pagavam uma taxa de “couvert artístico” nessas noites e dançavam mesmo quando a música não era exatamente feita pra isso.

FAUNA DIVERSA
O individualismo dos anos 70 (apelidados pelo escritor Tom Wolfe como “a década do eu”) aumentou nos 80. Cada um buscava uma expressão pessoal, inclusive na moda. Na pista, havia cabelos “mullet”, moicano ou cheios de gel. Os góticos investiam no preto e a galera new wave vestia cores cítricas vibrantes.

TOP 5 DAS PISTAS 
New Order – Bizarre Love Triangle
Talking Heads – Burning Down the House
Legião Urbana – Geração Coca-Cola
Soft Cell – Tainted Love 
The Clash – Should I Stay or Should I Go?

Anos 90
90s

Longas e regadas a muita música eletrônica. Nessa época, a busca por uma experiência mais intensa e diferente (e longe das autoridades) consagrou um formato novo – o das raves. Eram festas de até 14 horas, geralmente ao ar livre, que propunham uma fuga da realidade à base de muito som, dança e uso de drogas sintéticas. O termo “rave” já existia na Inglaterra desde a década de 50, mas foi revitalizado no fim do milênio com a ascensão da cultura eletrônica e a transformação dos DJs em verdadeiros superstars.

HIPPIES DO NOVO MILÊNIO
Enquanto os anos 80 celebravam a individualidade (já ouviu o hit Dancing with Myself, do Billy Idol?), as raves tinham um quê meio hippie. Tudo era coletivo, num clima de paz, amor, liberdade e comunhão com a natureza. O uso de drogas sintéticas e a batida dos gêneros eletrônicos techno e trance (“transe”, em inglês) deixavam o público numa vibe hipnótica.

TOCA AQUI! 
Ainda rolavam maconha e LSD. Mas a droga do momento era o ecstasy, também chamado de “bala”. Seu principal componente, o MDMA, causa euforia e bem-estar. Também aguça sentidos como o tato – por isso tantos se abraçavam ou ficavam passando a mão um no outro. Mas não pense que era pura pegação. O clima era mais sensual do que sexual.

COQUETEL DE H20
A bebida mais consumida era… água! Não só porque as festas eram verdadeiras maratonas, mas também porque o ecstasy aumentava a temperatura do corpo (e aconselhava-se não misturá-lo com álcool, pois alteraria seus efeitos). Além disso, a infraestrutura itinerante das raves não permitia drinques de preparação complexa

QUEM SABE FAZ AO VIVO
Além de chamariz para o público, o DJ era encarado como um xamã, responsável por conduzir o ritual da dança. E agora ele não apenas selecionava o que iria bombar como também mixava músicas ao vivo. A habilidade de manipular sons de outros artistas para criar algo novo se tornava essencial para um bom profissional. Há até torneios para escolher os melhores!

UMA VERDADEIRA VIAGEM
Havia muitas raves em praias e sítios. nos arredores de grandes cidades. Algumas tinham até ônibus fretados para trazer a galera. Em caso de chuva, tendas abrigavam pista de dança, bares e áreas de descanso. A decoração era completada com canhões de laser e telões, que exibiam imagens do espaço sideral, ícones da mitologia hindu, padrões psicodélicos…

BRINCAR SEM BRIGAR
O clima lúdico estava em todo lugar. Foi nessa época, por exemplo, que fazer malabares se tornou algo descolado. Havia ainda quem encarasse tudo como uma grande brincadeira infantil, levando chupeta, apito e bichos de pelúcia. Brigas e confusões eram raras – os seguranças eram orientados a ser tolerantes e só interviam em casos de excessos

À VONTADE
Conforto era prioridade para encarar as festas intermináveis: camiseta, bermuda, tênis, óculos de sol, canga para deitar no chão, roupa de banho para entrar no mar… Outros preferiam looks mais produzidos. Era a tribo “clubber”, que começava a se destacar especialmente nas baladas das grandes cidades, com roupas vibrantes e customizadas, estilos sobrepostos, muitos acessórios etc.

CURIOSIDADES
A década viu bombar dois novos tipos de bebidas prontas: os energéticos e as “ice”; Nos centros urbanos, o desejo por longas jornadas fez surgir os afterhours, uma “balada pós-balada” que vai até o meio-dia; Na pista, todo mundo queria saber de dançar. Só nas áreas de descanso a galera realmente interagia e fazia amizades.

TOP 5 DAS PISTAS
D.A.V.E the Drummer & Chris Liberator – One Night in Hackney
Energy 52 – Cafe del Mar
CJ Bolland – The Prophet
Wippenberg  – Neurodancer
The Chemical Brothers – Hey Boy Hey Girl

Fonte: Mundo Estranho / Fotos: Reprodução

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