Cinema, sexo e distúrbio

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Embora tão trivial e intrínseco ao ser humano, o sexo continua gerando polêmicas e sendo negócio rentável para a indústria cinematográfica. Exemplos recentes, Azul é a Cor Mais Quente (2013) e Ninfomaníaca (2014), trazem em seu roteiro cenas de sexo bem produzidas e intensas. Contudo, não é de hoje que o cinema explora o tema.

ultimo tango em parisO tabu existente em torno do assunto provoca discussões acaloradas sobre os limites da arte há um bom tempo. No filme Último Tango em Paris (1972), do cineasta italiano Bernardo Bertolucci, a popularmente conhecida ‘cena da manteiga’ (imagem acima) – em que os atores Marlon Brando e Maria Schneider simulam sexo anal no chão de um apartamento em Paris – tornou-se mundialmente famosa e foi alvo de polêmicas, resultando até em declarações negativas da atriz, onde disse ter se sentido violada por Brando e pelo diretor.

Situação parecida aconteceu nos bastidores de Azul é a Cor Mais Quente, dirigido por Abdellatif Kechiche. A relação entre o diretor e as protagonistas, Léa Seydoux e Adèle Exarchopoulos, parecia harmoniosa até o anúncio da Palma de Ouro, ano passado. Nas primeiras entrevistas depois do festival de Cannes, Léa declarou que se sentiu como uma prostituta no set, quando teve que fingir orgasmo durante seis horas seguidas em frente a três câmeras. ‘Azul’ conta a história de Adèle, uma garota de 15 anos que descobre, na cor azul dos cabelos de Emma, sua primeira paixão por outra mulher.

azul e a cor mais quente

A instabilidade de um relacionamento e o que acontece depois do término são pontos abordados na trama de quase três horas de duração, que usa a história de amor e as cenas de sexo como pano de fundo para algo bem mais complexo: um panorama sobre as descobertas e impasses da juventude e a chegada à vida adulta. Uma das cenas mais quentes entre as personagens tem aproximadamente seis minutos. Foram utilizadas próteses de silicone nas sequências, moldadas para parecer órgãos sexuais e ‘proteger’ as atrizes. Na época das filmagens Adèle tinha apenas 18 anos. “Foi uma aventura humana. Fiquei cinco meses longe da minha família e, nesse tempo, construí a paixão da personagem. A câmera estava sempre muito próxima do nosso rosto. Era apenas você, sua carne e seus sentimentos lá expostos. É uma coisa que exige demais”, declarou a atriz.

A polêmica vai além e se distingue em Ninfomaníaca, lançado há alguns dias no Brasil. Dirigido pelo renomado Lars von Trier (o mesmo de Anticristo, de 2009, e Melancolia, de 2011), o filme, que teve atores pornô profissionais para as cenas de sexo explícito, conta a história de Joe, vivida por Charlotte Gainsbourg, que é encontrada por um homem mais velho bastante machucada e largada em um beco. Ajudada pelo homem, ao despertar, Joe relata detalhes de sua vida, assumindo ser uma ninfomaníaca, e que não é, de forma alguma, uma boa pessoa.

Ao todo, o filme tem mais de cinco horas de duração, e foi dividido em duas partes para o seu lançamento. Ninfomaníaca – Volume 1 chegou aos cinemas brasileiros em 10 de janeiro; a segunda parte tem lançamento previsto para março deste ano.

ninfomaniaca

De maneira geral, Ninfomaníaca é uma longa exposição da história de uma mulher de meia idade viciada em sexo. Dentre a série de transtornos sexuais existentes, a ninfomania é uma das mais conhecidas, e trata-se da compulsão sexual feminina; nos homens a doença se chama satiríase. “É um impulso o qual a pessoa não consegue controlar. Quando vem o desejo, precisa satisfazê-lo, nem que para isso interrompa o expediente de trabalho ou outro compromisso”, diz a psicóloga Ana Montanhini.

A compulsão é caracterizada por comportamentos sexuais exagerados, e pode afetar toda a vida da pessoa, podendo levar ao sofrimento e situações constrangedoras. Vale ressaltar que alguém que gosta muito de sexo não é, necessariamente, uma ninfomaníaca ou sátiro. A diferença entre os dois casos está na necessidade pelo ato sexual.

A compulsão sexual, ou desejo sexual hiperativo, pode ser tratada por meio de terapia cognitivo-comportamental, visando entender o paciente e o que o leva a ter este comportamento. Também pode ter apoio medicamentos, através de inibidores de serotonina. Para determinar o tratamento adequado deve-se procurar um profissional capacitado, geralmente é um psicólogo (terapeuta sexual), que poderá ajudar e indicar o caminho a seguir para que o paciente tenha uma vida sexual saudável.

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