Ocupa Colaborativa resiste em Jundiaí

Depois de um intenso mutirão de limpeza, que já removeu três caçambas de entulho, e da mobilização dos grupos culturais pela gestão do espaço, a Ocupa Colaborativa vai aos poucos tomando ares de centro cultural enquanto articula sua sobrevivência.

Ocupado na última sexta, o galpão localizado na esquina da Rua XV de Novembro com a Avenida Aristeu Dagnoni, na região da Vila Argos, vem sofrendo constantes transformações. As paredes, antes sujas e chamuscadas, ganharam camadas de tinta, grafites e prateleiras com livros, enquanto um painel autogestionado recebe as primeiras atividades da programação.

Contudo, além da proposta de oferecer um espaço livre e autogestionado de criação artística, produção cultural e educação social, a ocupação promovida pelos coletivos de Jundiaí e região também quer alertar para os perigos da especulação imobiliária no desenvolvimento da cidade.

Sem uso há pelo menos duas décadas, o prédio faz parte do espólio de uma gráfica falida e tem mais de 250 mil Reais inadimplentes em IPTU.  As informações estão sendo levantadas pelo grupo de trabalho responsável pelas questões jurídicas da ocupa, que já estuda as possibilidades de negociação pelo uso do espaço.

O proprietário ainda não se manifestou, mas enviou um representante acompanhado da Polícia Militar para conferir a situação do local. O homem, identificado como Jeferson Ap., informou que será feito o pedido de reintegração de posse. Já os policiais, assim como os guardas municipais que vieram anteriormente, mostraram apoio à iniciativa de revitalização.

A recepção positiva de quem vive na região é fundamental para os ocupantes, que planejam atividades de integração e colaboração com os vizinhos. Segundo a dona de casa Edna Alves, é sinônimo de tranquilidade. “Muitos usuários de droga usavam o espaço, acumulando sujeira, ratos e outros animais. Me preocupava muito”, afirmou.

Os esforços agora seguem voltados para as questões jurídicas e físicas do galpão. O espaço foi incendiado há alguns anos, deixando parte da estrutura do telhado danificada e marcas pelas paredes. Um laudo elaborado pelo engenheiro civil Luiz Augusto Peres aponta o estado do prédio. “O telhado é o mais preocupante, parte da estrutura está condenada”, disse.

Apesar dos problemas, que parecem estar longe do fim, a Ocupação Colaborativa segue aberta e inicia o fluxo de programação nos próximos dias. Aulas, bate-papos, cineclube a um sarau ‘das mina’ já estão entre as atividades que acontecerão, todas gratuitas e abertas à comunidade. Os interessados em propor atividades podem acessar o link bit.ly/ocupeocupa.

“Apesar da iniciativa ter partido de um coletivo, entendemos que essa ocupação é de todos artistas e produtores de cultura da cidade. E também para todos nós, cidadãos”, afirma Gustavo Koch, articulador cultural da Casa Colaborativa, grupo que propôs a ocupação cultural em Jundiaí. “O movimento está cada vez mais amplo e diverso, juntos podemos muito mais”.

A Ocupa Colaborativa segue recebendo doações de alimentos, materiais de limpeza e de construção (veja a lista). As doações podem ser feitas diretamente na ocupação ou através de uma vaquinha online (bit.ly/vakinhaocupa).

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