Fora da margem: a ascensão da cultura alternativa em Jundiaí

Na foto, edição da festa de rua EXPERiMENTA, promovida pelo coletivo ROLÊ

2016 chega ao fim com o título de último ano do marasmo jundiaiense e marca a renovação da identidade local

“Parece Londres”, me disse um amigo sobre as festas undergrounds que acontecem no Centro. Longe de uma visão eurocêntrica, a comparação reflete a catarse cultural vivida ao longo deste ano e estimulada pela onda crescente de iniciativas independentes que buscaram novos usos e significados para espaços da cidade, enterrando de vez ideias replicadas durante décadas sobre a vida cultural jundiaiense. O fenômeno lembra a transformação no zeitgeist paulistano nos últimos anos, influenciada politicamente e pautada na valorização da cidade e suas pessoas.

Por aqui, o processo é tocado principalmente por coletivos que propagam a cultura em suas várias expressões, facilitando o acesso e valorizando os artistas locais de diversos modos, dos blocos de rua à ocupação de um galpão com programação diária e gratuita. Para além do aumento na frequência de atividades, os perfis dos que protagonizam a cena têm sido fator fundamental na construção dessa nova identidade – distante do arquétipo local e referenciada em manifestações culturais de diferentes lugares.

Essa mudança nos hábitos de quem produz e consome a cultura daqui reflete que algo grandioso está acontecendo, ainda que silenciosamente na perspectiva comum dos quase 400 mil habitantes. Isso não significa, porém, que Jundiaí é o novo sonho cosmopolita. O trabalho desenvolvido por esses grupos está ligado à necessidade de se enxergar na própria cidade e caminha na contramão da gentrificação vivida em outros centros urbanos, mesmo que isso implique em dificuldades para sobreviver e manter diálogo em rede.

Contudo, os problemas não impedem esses fazedores de buscarem ferramentas para fomentar a cultura, perpetuar suas ações e fazer prevalecer o direito à cidade. Conquistas recentes, como a lei que estabelece critérios para as manifestações artísticas em espaços públicos e a ocupação de cadeiras do Conselho Municipal de Política Cultural por representantes desses grupos, estão contribuindo para o crescimento dessas iniciativas e o surgimento de outras em um processo que parece estar longe do fim. Para quem observa ‘de fora’ talvez seja difícil entender. É preciso participar.

Abaixo segue uma lista de iniciativas que atuam na cidade, colabore enviando sugestões nos comentários ou através do e-mail blogdokoch@gmail.com.

  • Ateliê Casarão – Realiza cursos e oficinas teatrais, além de promover espetáculos próprios.
  • Ateliê Plano – Espaço dedicado às artes visuais que realiza exposições, cursos e oficinas.
  • Back Room – Casa de festas no Centro que reúne grande parte das iniciativas undergrounds da cidade.
  • Bar do Bilé – Reduto punk rock e hardcore na Vila Rami referência em shows entre os anos 1990 e 2000.
  • Bloco Carne com Queijo – Bloco carnavalesco fundado para homenagear um bar e seus bolinhos e desfila ao som de maracatu.
  • Bloco do Loki – Bloco carnavalesco com temática psicodélica conhecido pelo repertório que reúne marchinhas revisitadas e músicas d’Os Mutantes, Raul Seixas e, mais recentemente, Liniker e os Caramelows.
  • Cineclube Consciência – Com sessões semanais, exibe filmes gratuitamente há mais de 10 anos.
  • Coletivo Canguru – Iniciativa de fomento à produção musical independente na cidade e região.
  • Coletivo Coisarada – Grupo de produção cultural com atuação na cidade e região conhecido por iniciativas como Sarau da Coisa, SALVE – Semana do Audiovisual Livre e o evento erótico Erotimize.
  • Coletivo Confluências – Inciativa que se propõe a discutir moda e consumo.
  • Cultura DJ – Grupo de DJs que transforam praças em pistas de dança.
  • Cultura Urbana Jundiaí – Grupo de difusão da cultura hip hop e grafite.
  • CUME – Grupo de militância LGBTQ cheio de glitter e informação que promove eventos para empoderamento e conscientização.
  • Favela Sound System – Sistema de som pioneiro na cidade que promove a valorização da cultura reggae.
  • Feira Entorta – Evento mensal que reúne música, artesanato e gastronomia.
  • Maracatu Jundiaí – Grupo percussivo que difunde a cultura do maracatu de baque virado através de oficinas e apresentações na cidade e região.
  • Ocupa Colaborativa – Ocupação cultural promovida por coletivos e artistas em um galpão abandonado por 20 anos na Vila Argos, com programação diária e gratuita.
  • Quinta Livre – Evento quinzenal que promove a valorização de artistas independentes da cidade e região.
  • ROLÊ – Com o lema “valorize o fervo local’, a iniciativa catalisa diversas festas para entretenimento e formação de público.
  • Tambores de Inkice – Grupo percussivo que difunde a cultura do maracatu de baque virado através de oficinas e apresentações na cidade e região.
Anúncios

2 pensamentos sobre “Fora da margem: a ascensão da cultura alternativa em Jundiaí

    • Prezado anônimo,

      Este blog não tem como objetivo servir de página de classificados culturais. Enquanto editor responsável, me reservo ao direito de fazer a curadoria das informações e dos conteúdos publicados aqui – me pautando até mesmo em interesses pessoais, assim como qualquer outro blog.

      Faço questão de destacar que o Ateliê Lelê da Cuca nunca mais terá espaço aqui vistas atitudes irresponsáveis de sua proprietária que afetaram de maneira muito negativa um dos projetos culturais em que trabalhei nos últimos anos.

      Sobre a seriedade questionada, são mais de três anos de atividade e reconhecimento público. Bem-vindo!

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s