Rainha desde outros carnavais

Especial para o Bloco do Loki
Fotos por Thiago Moreira

Em ano de regras para o Carnaval de rua, ousadia é a lei. Mas isso não é novidade para o Bloco do Loki, que pelo quarto consecutivo ano vai mostrar sua criatividade e irreverência em Jundiaí.

Organizado por artistas e produtores culturais, o grupo revive o espírito tropicalista e leva às ruas um repertório alternativo com composições d’Os Mutantes, Raul Seixas, Sidney Magal, Daniela Mercury e Liniker, entre outros nomes da música brasileira, além das tradicionais marchinhas em versões revisitadas (“Olha a cabeleira do Zezé / deixa ele ser o que ele quiser!”).

Outra marca registrada do Loki são as homenagens feitas a figuras do imaginário local – como o Robertinho das pombas em 2015 e o maluco beleza Mirão no ano passado. Em 2017 o bloco homenageia uma jundiaiense que é rainha desde outros carnavais, Ana Maria dos Reis, mais conhecida como Preta entre os amigos foliões.

Nossa conversa foi durante uma tarde chuvosa no Ateliê Plano, uma das centrais de organização do Bloco do Loki, e o clima cinza logo se transformou quando ela começou a falar. “Eu sempre gostei de Carnaval, frequento desde pequena”, ela avisa, apesar de guardar poucos registros das folias passadas. Nas fotos em preto-e-branco, exibidas orgulhosamente, estão memórias da primeira vez que reinou no Carnaval da cidade.

Lembranças de outros carnavais

Lembranças de outros carnavais

“Eu não sabia, foi meu amigo Picoco [Babaro] que me inscreveu”. Em 1978, aos 19 anos, ela foi eleita rainha do Carnaval de Jundiaí representando o Estamos na Nossa, precursor da ousadia entre blocos da cidade. “Eu nunca tinha pisado em um palco”, relembra. A festa foi no ginásio do Sesi e teve muita serpentina, como mostra a foto que abre este texto.

“A roupa era alugada, a gente lotava uma van com a mulherada e ia pra São Paulo”, diz entre risos. Hoje, apesar de fazer contagem regressiva para a folia, Ana afirma que não costuma preparar suas fantasias, “exceto para o Loki deste ano”. Ela uma rainha despretensiosa, preza o conforto e não deixa o glamour de lado: “Ponho um paetê, um brilho, e vou pra rua”.

Foliã de carteirinha, Ana conta que quando as festas aconteciam nos salões dos clubes ela “ia nas cinco noites e nas duas matinês, não perdia nenhuma”. Contudo, a rainha do Loki prefere “a energia da rua”, acredita que “Jundiaí deveria ter mais blocos” (neste ano são mais de dez grupos nas ruas da cidade) e pretende ir em todos que puder – “Tenho que comprar muito isotônico!”.

Ana, rainha ou Miss Simpatia?

Ana, rainha ou Miss Simpatia?

Uma vez rainha… – Em 2008, quando surgiu o Continuamos na Nossa (uma homenagem dos antigos foliões ao Estamos na Nossa), Ana foi escolhida para ser a rainha do bloco. “Eu havia sido eleita representando o Continuamos, nada mais justo”, brinca.

Outra coisa que também mudou no Carnaval deste ano foi a tradicional personagem Globeleza, que foi vestida e ganhou elementos dos diversos carnavais que acontecem no país, encerrando uma era de sexualização e objetificação da mulher negra na TV aberta. Contudo, voltando-se para a situação local, Ana afirma que “ainda há muito preconceito com a figura da mulher no Carnaval de Jundiaí”.

Para lutar contra essa realidade, o Loki organiza anualmente a Ala das Rainhas, que abre o desfile do bloco reunindo à frente do trio elétrico todas as pessoas que desejam ser rainhas de Carnaval, independente de gênero, a fim de estimular o empoderamento feminino e incentivar reflexões acerca dos estereótipos femininos propagados pela sociedade. “Ser rainha é mais do que ostentar uma coroa e uma faixa, é dar voz à diversidade”, afirmam os organizadores.

No fim das contas, o que vale é botar o bloco na rua, sambar e fazer um grande Carnaval – sem machismo, racismo ou homotransfobia.


O Bloco do Loki desfila no domingo de Carnaval, dia 26 de fevereiro. A concentração será a partir das 15 horas em frente ao Centro Esportivo José Brenna, o famoso Sororoca – Avenida União dos Ferroviários, 2700. Antes, no dia 11 de fevereiro, o Loki ocupa a Praça Erazê Martinho, na Ponte Torta, para realizar seu pré-Carnaval. E durante o mês ainda tem apresentação do grupo na festa Quinta Livre e no Sesc Jundiaí. Acompanhe a agenda no Facebook do Loki.

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